SBOC REVIEW

Highlights de Tumores de Mama
Trastuzumabe deruxtecan (T-DXd) + pertuzumabe versus taxano + trastuzumabe + pertuzumabe (THP) para o tratamento de primeira linha de pacientes com câncer de mama avançado/metastático HER-2 positivo (HER2+): resultados interinos do DESTINY-Breast09
Tolaney et al. Trastuzumab deruxtecan (T-DXd) + pertuzumab vs taxane + trastuzumab + pertuzumab (THP) for first-line treatment of patients with human epidermal growth factor receptor 2-positive (HER2+) advanced/metastatic breast cancer: interim results from DESTINY-Breast09
O Destiny-Breast09 é um estudo de fase 3, randomizado, multicêntrico, que comparou, nesta análise interina, trastuzumabe deruxtecan (T-DXd) e pertuzumabe (braço experimental) ao regime padrão com taxano, trastuzumabe e pertuzumabe (THP – braço controle) como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de mama HER2+ avançado/metastático.
Foram incluídas 770 pacientes, randomizadas na proporção 1:1. A mediana de idade foi de 54 anos. A maioria apresentava expressão de receptores hormonais (54%) e doença metastática de novo (aproximadamente 51-52%). Cerca de 30-31% apresentavam mutação no gene PIK3CA. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP), avaliada por revisão central independente (BICR).
Nesta análise, o braço T-DXd e pertuzumabe demonstrou benefício significativo em SLP, com redução de 44% no risco de progressão ou morte (HR 0,56; IC 95% 0,44-0,71; p<0,00001). A mediana de SLP foi de 40,7 meses no braço experimental versus 26,9 meses no braço controle.
A taxa de resposta objetiva também foi superior com T-DXd + pertuzumabe (85,1% vs 78,6%), assim como a duração de resposta (39,2 meses vs 26,4 meses). A sobrevida global (SG) ainda é imatura.
O perfil de segurança foi consistente com dados já conhecidos de T-DXd. Pneumonite foi observada em 12,1% das pacientes, sendo a maioria de grau 1 ou 2.
Este estudo representa um avanço relevante no tratamento de primeira linha do câncer de mama HER2-positivo avançado. A superioridade da combinação de T-DXd + Pertuzumabe em termos de SLP, taxa de resposta objetiva e duração da resposta sinaliza uma potencial mudança de paradigma no manejo dessa população. No entanto, a ausência de dados maduros de SG, aliada à necessidade de avaliação do custo-benefício e da toxicidade a longo prazo, ainda requerem cautela antes de sua ampla incorporação na prática clínica.
Sacituzumabe govitecan mais pembrolizumabe versus quimioterapia mais pembrolizumabe em pacientes com câncer de mama triplo negativo avançado ou metastático PD-L1 positivo não tratados previamente: Resultados primários do estudo randomizado de fase 3 ASCENT-04/KEYNOTE-D19
Tolaney et al. Sacituzumab govitecan plus Pembrolizumab vs Chemotherapy plus Pembrolizumab in patients with previously untreated, PD-L1–positive, advanced or metastatic triple-negative breast cancer: Primary results from the randomized, phase 3 ASCENT-04/KEYNOTE-D19 study
O estudo ASCENT-04/KEYNOTE-D19 é um ensaio clínico randomizado de fase 3 que avaliou a combinação de sacituzumabe govitecan (SG) e pembrolizumabe versus quimioterapia de escolha do investigador (paclitaxel, nab-paclitaxel ou gemcitabina + carboplatina) associada a pembrolizumabe em pacientes com câncer de mama triplo negativo localmente avançado irressecável ou metastático, com expressão positiva de PD-L1 (CPS ≥10), sem tratamento sistêmico prévio para doença avançada.
Foram incluídas 443 pacientes, randomizadas 1:1. A mediana de idade foi 54-55 anos e aproximadamente metade (48%) apresentava recorrência após 12 meses do tratamento curativo.
O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP) por avaliação independente centralizada (BICR). O braço SG + pembrolizumabe demonstrou benefício clínico significativo, com SLP mediana de 11,2 meses versus 7,8 meses no braço controle (HR 0,65; IC 95% 0,51–0,84; p<0,001). A duração de resposta objetiva também foi superior para o braço experimental (16,5 meses versus 9,2 meses). Os dados de sobrevida global ainda são imaturos. O perfil de eventos adversos foi compatível com os eventos conhecidos das drogas. O sacituzumabe govitecan provocou maiores taxas de neutropenia.
Este estudo demonstra ganho estatisticamente significativo em SLP com SG e pembrolizumabe e reforça a eficácia da combinação como potencial nova opção de primeira linha para pacientes com TNBC avançado PD-L1 positivo, preenchendo uma lacuna terapêutica importante em um cenário historicamente desafiador. Aguardam-se os dados de sobrevida global para consolidar o impacto na prática clínica.
Desintensificação do tratamento neoadjuvante com taxano + trastuzumabe + pertuzumabe com ou sem carboplatina em câncer de mama HER2+ (neoCARHP): estudo multicêntrico, aberto, randomizado, de fase 3
Gao et al. De-escalated neoadjuvant taxane plus trastuzumab and pertuzumab with or without carboplatin in HER2-positive early breast cancer (neoCARHP): A multicentre, open-label, randomized, phase 3 trial
O neoCARHP é um estudo de fase 3, multicêntrico e randomizado, que investigou a possibilidade de desintensificar o tratamento neoadjuvante em pacientes com câncer de mama HER2+ em estágio clínico II-III. O objetivo foi avaliar se a omissão da carboplatina impactaria negativamente a resposta patológica completa (RPC), mantendo o tratamento com taxano (docetaxel, paclitaxel ou nab-paclitaxel), trastuzumabe e pertuzumabe.
Foram incluídas 774 pacientes, randomizadas 1:1 para receber o regime com ou sem carboplatina. A mediana de idade foi de 51-52 anos, com aproximadamente 50% das pacientes em pré-menopausa. A maioria apresentava tumores T1-T2, status nodal positivo e expressão HER-2 3+ por imunohistoquímica. Cerca de 62% apresentavam expressão de receptores hormonais (RH).
A taxa de RPC foi semelhante entre os grupos (65,9% com carboplatina vs 64,1% sem carboplatina). A análise por subgrupos mostrou que em pacientes RH+ a taxa de pCR foi discretamente superior com carboplatina (58,8% vs 55,8% sem carboplatina).
A toxicidade hematológica foi mais acentuada no grupo da carboplatina, principalmente em termos de neutropenia, leucopenia e anemia. Além disso, náuseas também foram mais frequentes neste grupo.
O estudo neoCARHP traz uma importante reflexão sobre a desintensificação terapêutica no cenário HER2+. A omissão da carboplatina não comprometeu a taxa de RPC e reduziu substancialmente os eventos adversos. O seguimento a longo prazo com dados de sobrevida e análise de biomarcadores será fundamental para refinar ainda mais a seleção de pacientes candidatas a esta omissão.
Avaliadora científica:
Dra. Maiane Maria Pauletto
Oncologista clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) – Porto Alegre/RS
Oncologista clínica na Irmandade Santa Casa de Porto Alegre – Porto Alegre/RS
Instagram: @maipauletto
Cidade de atuação: Porto Alegre/RS