SBOC REVIEW

Highlights de Tumores Mamários
CÂNCER DE MAMA DOENÇA INICIAL
DESTINY-Breast05: T-DXd versus T-DM1 no cenário pós-neoadjuvância para câncer de mama HER2+ de alto risco com doença residual
Trastuzumab deruxtecan vs trastuzumab emtansine in high-risk HER2+ early breast cancer with residual invasive disease after neoadjuvant therapy: DESTINY-Breast05 interim analysis
O DESTINY-Breast05 é um estudo fase 3, aberto, que comparou trastuzumabe-deruxtecana (T-DXd) com trastuzumabe-emtansina (T-DM1) como terapia adjuvante em pacientes com câncer de mama HER2+ e doença residual após quimioterapia e terapia anti-HER2 neoadjuvante. Pacientes de alto risco na apresentação (cT4Nx ou cT1-3, N2-3 inoperáveis OU cT1-3, N0-1 operáveis com ypN+ pós neoadjuvância) foram randomizados para receber T-DXd (5,4 mg/kg a cada 3 semanas) ou T-DM1 (3,6 mg/kg a cada 3 semanas) por 14 ciclos. O desfecho primário foi sobrevida livre de doença invasiva (SLDi).
Com seguimento mediano de ~30 meses, T-DXd demonstrou benefício significativo em SLDi (HR 0,47) e sobrevida livre de doença (SLD) (HR 0,47) versus T-DM1. Também houve uma tendência favorável no intervalo livre de metástases cerebrais (HR 0,64). Eventos adversos grau ≥3 foram semelhantes entre os braços (50,6% vs 51,9%), porém pneumonite intersticial associada à droga ocorreu mais com T-DXd (9,6% vs 1,6%), a maioria sendo grau 1-2, porém incluindo 2 óbitos.
O estudo confirma a superioridade do T-DXd em pacientes de alto risco com doença residual HER2+ após neoadjuvância, consolidando-se como potencial novo padrão nesse cenário. Entretanto, a toxicidade pulmonar requer vigilância rigorosa, com diagnóstico e manejo precoce da pneumonite. A incorporação clínica depende de aprovação regulatória, mas o impacto potencial é significativo, reduzindo risco de recorrência precoce em um grupo de altíssimo risco, além de redução na taxa de metástase cerebral dessa população.
DESTINY-Breast11: Neoadjuvância com T-DXd isolado ou seguido de THP versus quimioterapia padrão em câncer de mama HER2+ de alto risco
Neoadjuvant trastuzumab deruxtecan alone (T-DXd) or followed by paclitaxel + trastuzumab + pertuzumab (T-DXd-THP) vs SOC for high-risk HER2+ early breast cancer (eBC)
O estudo DESTINY-Breast11 avaliou T-DXd isolado (5,4 mg/kg a cada 3 semanas por 8 ciclos) ou T-DXd (5,4 mg/kg a cada 3 semanas por 4 ciclos) seguido por paclitaxel semanal + trastuzumabe + pertuzumabe (THP por 4 ciclos) versus esquema padrão de AC dose-densa (4 ciclos) seguido de THP (4 ciclos) em pacientes com câncer de mama HER2+ de alto risco (≥T3Nx, TxN1–3, ou tumor inflamatório). O desfecho primário foi taxa de resposta patológica completa (RPC).
Até março de 2025, 641 pacientes foram randomizadas. O regime T-DXd-THP alcançou RPC de 67,3% vs 56,3% com ddAC-THP (diferença 11,2%, p=0,003), com benefício tanto em tumores com receptor hormonal positivo (RH+) quanto em tumores RH negativo. Houve uma tendência a melhor sobrevida livre de eventos (HR 0,56) no grupo T-DXd-THP. Toxicidade grau ≥3 foi menor com T-DXd-THP (37,5% vs 55,8%). Pneumonite intersticial ocorreu em ~4-5% em ambos os grupos, majoritariamente grau 1-2. Houve menos disfunção cardíaca no grupo T-DXd-THP (1,9%) em comparação com o grupo que recebeu antraciclina (9,0%). O braço T-DXd isolado foi descontinuado precocemente devido à baixa taxa de RPC. Cerca de metade dos pacientes em ambos os braços que não atingiram RPC, fizeram trastuzumabe-emtansina adjuvante, tratamento considerado padrão nesse cenário.
Este estudo sugere que T-DXd seguido de THP pode substituir regimes com antraciclina no cenário neoadjuvante, apresentando maior RPC e menor toxicidade cardíaca. A estratégia representa um possível novo padrão neoadjuvante de tumores HER2+ de alto risco.
Ribociclibe + inibidor de aromatase adjuvante: análise de 5 anos do NATALEE
Adjuvant ribociclib plus nonsteroidal aromatase inhibitor (NSAI) in patients with HR+/HER2− early breast cancer: NATALEE 5-year outcomes
O estudo fase 3 NATALEE avaliou ribociclibe (400 mg/dia – ciclos de 21 dias por 3 anos) associado ao inibidor de aromatase (IA – letrozol ou anastrozol por 5 anos) vs IA isolado em pacientes com câncer de mama RH+/HER2− estágio II-III.
Pacientes estadiamento IIA com linfonodo negativo foram incluídos se tivessem tumor G3 OU G2 + Ki67≥20% ou escore genômico de alto risco. O desfecho primário foi sobrevida livre de doença invasiva (SLDi). Homens e mulheres em pré-menopausa receberam gosserrelina.
Com uma mediana de seguimento de 55,4 meses, houve benefício sustentado em SLDi (HR 0,716). Os dados de sobrevida global ainda estão imaturos. O benefício também incluiu pacientes N0 com fatores de alto risco. Cerca de um terço das pacientes completou o regime de IA em ambos os grupos. A toxicidade foi manejável e consistente.
O estudo NATALEE reforça o papel do ribociclibe como opção de terapia endócrina adjuvante em doença inicial de alto risco, incluindo a população com doença N0 e outros fatores de risco — ampliando a população beneficiada em relação a estudos prévios com abemaciclibe. O impacto clínico é relevante, com redução consistente de recorrência invasiva e à distância. Questões pendentes incluem o impacto definitivo em sobrevida global, toxicidade prolongada e custo/acesso no Brasil.
Abemaciclibe adjuvante + terapia endócrina: resultado primário de sobrevida global do estudo monarchE
Primary overall survival (OS) results of adjuvant abemaciclib + endocrine therapy for HR+/HER2− high-risk early breast cancer (EBC)
Esse é um estudo fase 3, aberto, que comparou abemaciclibe por 2 anos + terapia endócrina (TE – por pelo menos 5 anos) vs TE isolada em pacientes com câncer de mama inicial RH+/HER2− de alto risco (≥4 linfonodos ou 1-3 LN + grau 3 e/ou tumor ≥5 cm; Ki-67 ≥20% permitido na coorte 2). Após mediana de 6,3 anos, houve um aumento significativo em sobrevida global (HR 0,84; p=0,027) no grupo que usou abemaciclibe, com redução no risco de mortalidade de 15,8%.
O benefício em sobrevida livre de doença invasiva e de sobrevida livre de recorrência à distância se manteve nos 7 anos de seguimento (ganho absoluto ~6%). Mais pacientes do braço controle receberam algum inibidor de CDK4/6 posteriormente, no cenário metastático.
O estudo monarchE demonstra benefício de sobrevida global — marco importante no cenário adjuvante para pacientes com tumores iniciais RH+/HER2− de alto risco.
Os resultados fortalecem o uso de abemaciclibe como terapia padrão nesta população.
Considerações incluem custo-efetividade, toxicidade (diarreia, fadiga, risco trombótico) e seleção adequada das pacientes.
Avaliador científico:
Dr. Rubem José Peres Moreira
Oncologista clínico pelo INCA
Oncologista da Oncologia D'Or e do Hospital Universitário Pedro Ernesto
Pesquisa Clínica do INCA e do IDOR
Instagram: @rubemmoreira
Cidade de atuação: Rio de Janeiro/RJ