SBOC REVIEW

Monitoramento Ativo Com ou Sem Terapia Endócrina para Carcinoma Ductal In Situ de Baixo Risco: Um Ensaio Clínico Randomizado COMET
Resumo do artigo:
O estudo COMET investigou uma abordagem menos invasiva no tratamento de carcinoma ductal in situ (CDIs) da mama de baixo risco. O principal objetivo deste trabalho foi avaliar se o monitoramento ativo, com acompanhamento regular e intervenções apenas quando necessário, poderia ser uma alternativa segura ao tratamento tradicional, que geralmente envolve cirurgia imediata e, em alguns casos, terapia hormonal (tamoxifeno).
O estudo envolveu mulheres diagnosticadas com CDIs de baixo risco (receptores hormonais positivos, G1 ou G2), que foram divididas em dois grupos. O primeiro grupo seguiu apenas o monitoramento ativo, enquanto o segundo recebeu o tratamento padrão (cirurgia com ou sem radioterapia). O objetivo principal foi avaliar se o monitoramento ativo não era inferior ao cuidado alinhado às diretrizes, definido pela taxa de câncer invasivo em 2 anos. Os resultados mostraram que o monitoramento ativo foi não inferior aos tratamentos tradicionais, com taxas de mortalidade por câncer de mama muito baixas (apenas 0,3%), e uma taxa de necessidade de tratamentos subsequentes (como cirurgia ou radioterapia) de 30%. A taxa cumulativa de câncer invasivo em 2 anos foi de 5,9% no grupo que recebeu cirurgia e 4,2% no grupo do monitoramento ativo. Cerca de 70% das mulheres no grupo de monitoramento ativo utilizaram terapia endócrina, o que pode ter contribuído para o resultado.
Quanto à recorrência do câncer, o grupo com monitoramento ativo teve uma taxa de 14%, enquanto o grupo que usou tamoxifeno teve 11%, mas essa diferença não foi considerada estatisticamente significativa. Isso sugere que, para o grupo de baixo risco, o tamoxifeno não trouxe um benefício claro. Apesar disso, o estudo COMET não foi desenhado para abordar questões relacionadas à efetividade da terapia endócrina. Importante destacar que, após 5 anos, a taxa de sobrevida livre de doença foi de 98% em ambos os grupos, indicando que o monitoramento regular foi uma estratégia eficiente.
Comentários do avaliador científico:
O estudo COMET traz uma perspectiva inovadora para o tratamento dos CDIs de baixo risco, sugerindo um monitoramento ativo, sem intervenções imediatas. Essa abordagem evita tratamentos invasivos e permite acompanhar qualquer mudança no estado de saúde das pacientes. Os resultados são positivos, com baixas taxas de mortalidade e recidiva, mantendo alta a sobrevida com uma abordagem menos agressiva. Isso representa um avanço na medicina personalizada, tratando as pacientes de forma individualizada. Embora a taxa de recidiva tenha diminuído com o uso de tamoxifeno, a diferença não foi significativa, o que questiona o papel da terapia endócrina. Não houve diferenças significativas na qualidade de vida entre os grupos, sugerindo boa tolerância ao monitoramento ativo. O estudo COMET revela que uma abordagem conservadora pode ser tão eficaz quanto tratamentos invasivos, preservando a qualidade de vida e evitando tratamentos desnecessários.
Citação do artigo: Hwang ES, Hyslop T, Lynch T, et al; COMET Study Investigators. Active Monitoring With or Without Endocrine Therapy for Low-Risk Ductal Carcinoma In Situ: The COMET Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024 Dec 12. doi: 10.1001/jama.2024.26698.
Avaliador científico:
Dr. Márcio Luiz Martins Júnior
Oncologista Clínico pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Rio de Janeiro/RJ
Oncologista Clínico, pesquisador e preceptor do programa de residência médica em Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG – Belo Horizonte/MG
Oncologista Clínico do grupo Oncoclínicas – Belo Horizonte/ MG.
Instagram: @marcio_luiz_martins
Cidade de atuação: Belo Horizonte/MG