Na véspera do Dia Internacional da Mulher, 7 de março, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) – em parceria com os grupos brasileiros de tumores de mama (GBECAM), ginecológicos (EVA), torácicos (GBOT) e gastrointestinais (GTG) – realizou em São Paulo, no Teatro Unimed, o evento “Mulheres em AntecipAÇÃO: Conhecimento é Poder”.
A iniciativa reuniu dezenas de especialistas e interessados no tema para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e os impactos sociais dos principais tipos de câncer que acometem as mulheres.
Durante o evento, a presidente da SBOC, Dra. Angélica Nogueira, ressaltou a importância do esforço conjunto entre entidades médicas e sociedade civil para ampliar o debate e fortalecer políticas públicas. Ela também apresentou projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) que indicam um crescimento de 63% nos casos globais de câncer até 2040, com forte impacto entre as mulheres.
O câncer do colo do útero foi um dos destaques do evento. Dra. Andrea Gadêlha, presidente do Grupo EVA, chamou atenção para a urgência de ampliar o acesso à informação e aos exames preventivos. Apesar de ser uma das doenças mais comuns entre mulheres, é considerada passível de eliminação pela comunidade internacional. A vacinação contra o HPV e exames como o Papanicolau e o teste molecular, disponíveis no SUS, são ferramentas essenciais para a prevenção.
Outro foco da programação foi o câncer de mama, o mais incidente entre as mulheres no Brasil e no mundo. Dra. Gisah Guilgen, diretora do GBECAM, destacou que o medo, a vergonha e a desinformação ainda levam muitas mulheres a adiar a busca por diagnóstico, o que contribui para a detecção tardia e para o agravamento dos casos. Ela explicou os fatores de risco, tanto os que podem ser controlados — como obesidade, sedentarismo, consumo de álcool e não amamentação — quanto os genéticos e hormonais.
Na abordagem sobre o câncer de pulmão, Dr. Vladmir Cordeiro, presidente do GBOT, lembrou que, embora seja o mais letal no Brasil, o tumor ainda recebe pouca atenção nas políticas públicas. A maioria dos casos está relacionada ao tabagismo, mas também há registros crescentes entre não fumantes, atribuídos à poluição e ao fumo passivo. Segundo ele, o nome do evento remete à importância da antecipação da informação, para que os pacientes saibam identificar riscos e procurem atendimento com antecedência. O especialista reforçou a importância de cessar o tabagismo e adotar hábitos saudáveis como forma de prevenção.
Dra. Maria Ignez Braghiroli, conselheira fiscal do GTG, falou sobre os tumores colorretais, que são o segundo tipo mais incidente entre mulheres brasileiras. Ela explicou que a doença pode estar associada a síndromes hereditárias, doenças inflamatórias intestinais e fatores genéticos, além de hábitos de vida pouco saudáveis. Reforçou a necessidade do rastreamento periódico, com colonoscopia, exames fecais e, quando indicado, tomografias.
O evento foi finalizado com um bate-papo entre os palestrantes e o público, mediado pela jornalista especializada em saúde Lucia Helena de Oliveira, seguido de um momento de confraternização. A programação reforçou a urgência de ampliar o acesso à informação de qualidade e de construir uma rede de cuidado mais efetiva para a saúde feminina, conectando ciência, prevenção e políticas públicas.