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SBOC REVIEW

177Lutecio-Dotatate no tratamento de tumores neuroendocrinos de Midgut

Há uma carência de opções terapêuticas para pacientes com tumores neuroendócrinos (TNEs) de intestino médio que têm progressão de doença após tratamento com análogos de somatostatina. O presente estudo propôs-se a avaliar o papel do lutécio radioativo no manejo da doença. Foram incluídos 229 pacientes com TNE de intestino médio com expressão de receptores de somatostatina e em progressão. Os pacientes foram tratados com aplicações de lutécio radioativo a cada 8 semanas (total de 4 aplicações) ou octreotida-LAR 60 mg a cada 28 dias. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP). A taxa de SLP no mês 20 foi de 65,2% (intervalo de confiança [IC] 95% 50,0-76,8) no braço lutécio e 10,8% (IC 95% 3,5-23,0) no grupo controle. O hazard ratio para progressão ou morte com lutécio versus controle foi de 0,21 (IC 95% 0,13-0,33, P<0,001). Detectou-se um aumento da taxa de resposta no grupo tratado com radioisótopo (3% versus 18%, P<0,001). À análise interina de sobrevida global (SG), houve mais mortes no braço lutécio que no grupo controle (14 versus 26 óbitos, P=0,004). O tratamento com lutécio foi bem tolerado. Neutropenia, plaquetopenia e linfopenia graus 3 e 4 ocorreram em 1%, 2% e 9% dos pacientes, respectivamente. Toxicidade renal, uma complicação associada ao tratamento com ítrio radioativo, não foi identificada no estudo. Os autores concluem que o tratamento com radioisótopo provê benefício pronunciado em pacientes com TNE, com baixa toxicidade. A evidência preliminar de aumento da SG necessita ser confirmada na análise final dos dados.

Comentários: O tratamento com lutécio mostrou dados de SLP e TR de magnitude não identificada previamente em estudos de fase III, com baixa toxicidade aguda, o que lhe assegura papel no manejo do TNE avançado. Questões sobre eventos adversos em longo prazo, especialmente hematológicos e renais, precisam ser esclarecidas. Não está claro qual o melhor momento de indicação do lutécio no sequenciamento da terapia.

Duílio Reis da Rocha Filho

Chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Universitário Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará, mestre e doutor em oncologia pela Fundação Antônio Prudente.