INCA projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil para o triênio 2026-2028
O cenário da oncologia no Brasil para os próximos anos revela um desafio de saúde pública de proporções crescentes, conforme aponta o relatório “Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões”, divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, em ocasião do Dia Mundial do Câncer. As estimativas para o triênio 2026-2028 indicam que o país deve registrar 781 mil novos casos anuais da doença. Retirando desse cálculo o câncer de pele não melanoma – que possui alta incidência, mas baixa letalidade –, o volume total de novas ocorrências atinge a marca de 518 mil diagnósticos por ano. Esse montante se distribui de forma quase equilibrada entre os sexos, com 49,4% dos casos previstos em homens e 50,6% em mulheres. De acordo com o INCA, o perfil da doença no Brasil é marcado pela predominância de seis tipos específicos de câncer, que juntos respondem por aproximadamente 65% de toda a carga de novos diagnósticos. Os tumores de mama feminina e de próstata continuam sendo as grandes prioridades, representando, cada um, cerca de 15% das ocorrências anuais. Logo atrás, o câncer de cólon e reto aparece como o terceiro mais frequente, com 10,4% dos casos, seguido pelos tumores de pulmão (6,8%), estômago (4,4%) e colo do útero (3,7%). O relatório destaca duas tendências relevantes relacionadas ao envelhecimento populacional e à adoção de estilos de vida menos saudáveis, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e consumo de tabaco: o aumento dos casos de câncer colorretal e de câncer de pulmão. Este, sobretudo, entre mulheres e populações jovens, refletindo o impacto do tabagismo e novas formas de consumo de nicotina. Outro ponto crítico revelado pelo estudo é a profunda desigualdade regional no território brasileiro. Enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam um perfil de tumores mais associado ao envelhecimento e à urbanização, as regiões Norte e Nordeste ainda lidam com uma carga elevada de cânceres relacionados a causas infecciosas e vulnerabilidades sociais, como o câncer do colo do útero e o de estômago. No Amapá, por exemplo, o câncer de colo do útero chega a superar o de mama em incidência entre as mulheres. Ex-presidente da SBOC (2003-05) e atual diretor do INCA, Dr. Roberto de Almeida Gil, ressaltou, durante cerimônia de lançamento do documento, que estes dados servirão para as autoridades sanitárias definirem as próximas prioridades e construírem novas políticas públicas em relação ao cuidado com o câncer no Brasil.
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